
Jacques de Beauvoir
Áfrika: belo e sensual
Enfim, o Balé Teatro Castro Alves - passando por momentos cruciais - consegue mostrar que a companhia ainda é uma das melhores do Brasil, inclusive com reconhecimento internacional. Foi preciso trazer de volta à companhia o espanhol Victor Navarro, que criou em 1981 a bela coreografia Ilhas para a estréia nacional do BTCA e posteriormente Sonhos de Castro Alves. Em Áfrika, apresentada semana passada no TCA, uma novidade há muito esperada: dançarinos dançavam tão somente, colocando de escanteio as chatices da dança-cabeça. Sem perder, é claro, a excelência da técnica. O ritmo do espetáculo é contagiante do começo ao fim e a platéia só tem vontade de subir ao palco e entrar na festa. Rica em detalhes e movimentos, a coreografia é uma viagem deliciosa sobre os vários ritmos que tiveram origem nos vibrantes sons e cânticos da África. Imbuídos no trabalho estão elementos que sempre pautaram o Balé Teatro Castro Alves em sua trajetória: crenças, símbolos, rituais herdados do continente africano. Ainda bem que a coreografia não tem história. Tem dança, muita dança executada com prazer e competência. É uma retomada em grande estilo, graças ao mérito do coreógrafo Victor Navarro, dos dançarinos (novos e veteranos integrados como se fosse um só corpo dançante), música (maravilhosa), figurinos de J. Cunha, cenografia (também de J. Cunha e equipe) e iluminação de Irma Vidal. Vamos torcer para que o espetáculo volte ao cartaz o mais breve possível.
Foto de Isabel Gouvêa
Texto de Jacques de Beauvoir