Sexta, 02.10.2009

O delicioso Uma vez, nada mais

Quarta, 22.07.2009

Áfrika: belo e sensual

Sexta, 22.05.2009

As imagens de Budapeste

Quinta, 14.05.2009

Atire a primeira pedra

Dimas Novais





Comédia musical protagonizada por uma atriz e cantora e um ator, galã de novela das oito, Doce Deleite faz o público cair na gargalhada a partir de uma narração sobre o próprio fazer teatro. Alessandra Maestrini (popularizada com a personagem Bozena, aquela de Pato Branco, do seriado Toma Lá Dá Cá, da Globo) e Reynaldo Gianecchini encenam o espetáculo metalingüístico, com altas doses de besteirol. Excelente nas interpretações de cada personagem, ela mostra que sabe mesmo fazer comédia, enquanto ele é muito bem dirigido por Marília Pêra e aparece tão solto quanto talentoso - mas não exatamente na seara do humor.

Utilizando recursos do canto, disfarces e dança, a história descreve a participação de várias figuras importantes para o universo do teatro. Desde a bilheteira até o dono do teatro, passando pelos atores e contra-regra. Cada um é exibido sempre em tons de humor caricatural, sem preocupação crítica reflexiva. Mas é isso mesmo que a peça propõe e cumpre bem.

Com trejeitos e coreografias cômicas, Gianecchini perde sua postura de galã logo na primeira cena e segue numa tentativa de fazer a platéia rir mais com suas peripécias corporais do que com as verbais. Apesar de claramente se esforçar, não consegue fazer seu intento tão bem como Maestrini. Talvez favorecida pelos esquetes mais cômicos, a gaúcha entretém o público sem muito esforço - sua voz já é suficiente para os primeiros risos saírem - enquanto ele dança, pula, se joga no chão, faz caras e bocas, mas não alcança tanto sucesso.

O texto tem momentos leves, outros bem populares e alguns escrachados. Um desses instantes deixa o público desconcertado. É a esquete de Gianecchini vivendo uma professora que ensina à mulherada truques sexuais. A sexualidade, aliás, envolve quase todo o roteiro. Muito presente também é o canto que vai da ópera até modinhas românticas e irônicas. Sem terem a obrigação de ser grandes cantores, ambos são bem afinados. Mas não só isso, Maestrini apresenta incrível potencial de cantora lírica deixando surpresos os que não conheciam essa vertente da atriz.

Ao levar a coxia ao palco, o espetáculo exibe como a magia do teatro acontece. Doce Deleite pode ser encarada como bom exercício para os atores que montam e desmontam seus personagens em cena, à vista do público, deixando escancaradas as aventuras, que são as trocas de roupa nos bastidores. Em certos momentos, a descontração é tão grande que os atores tecem conversas quase pessoais - não fosse o fato de que as dividem com a plateia. Estrelado na década de 80 por Marília Pêra e Marco Nanini, a peça está completando um ano e cinco meses em cartaz. Em rara oportunidade de ter um espetáculo nacional por mais de um fim-de-semana em cartaz, é boa pedida para quem quer encher uma noite de humor a custa de rotina teatral.

A peça está em cartaz no Teatro Jorge Amado - sextas (21h), sábados (21h) e domingos (20h) até 20 de setembro.

Texto de Dimas Novais
Repórter de Cultura da Tribuna da Bahia
Ex-Diretor de Comunicação da Produtora Júnior UFBA